Mulheres na Ciência

Biografia de Rosalind Franklin

Rosalind Franklin

Rosalind Franklin (1920-1958) foi uma cientista britânica responsável pela célebre "foto 51", a primeira a registrar nitidamente a estrutura do DNA. Além disso, a química também se dedicou a estudos sobre o carvão mineral, RNA e vírus.

Suas descobertas foram essenciais para se conseguir determinar a forma em dupla hélice do DNA, sigla para Ácidos Desoxirribonucleico.

Entretanto, seu nome não entrou para a história como autora desse feito, pois três cientistas pegaram seus estudos sem permissão, terminaram a pesquisa e levaram a fama, recebendo o Prêmio Nobel de Medicina.

E, desde criança, "fazia cálculos matemáticos para se divertir" e tinha "uma inteligência alarmante", segundo lembrou uma tia. O relato é da escritora Brenda Maddox, falecida em 2019 e cuja biografia de Franklin continua sendo uma das grandes referências sobre a vida da cientista.

Após fazer doutorado em física e química pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Franklin logo ganhou destaque por sua pesquisa sobre a estrutura física das moléculas.

Seus estudos sobre carvão foram usados durante a Segunda Guerra Mundial na produção de máscaras de gás.

A técnica na qual Franklin havia se especializado era a cristalografia de raios X.

"Esta técnica foi aplicada antes da Segunda Guerra Mundial para determinar a estrutura de rochas e minerais", explica à BBC News Mundo Miguel García-Sancho, professor e pesquisador de história da ciência da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

"Mas depois da guerra houve muito interesse em usar as técnicas da física em aspectos mais relacionados à vida, e foi aí que começou a ser usada para determinar a estrutura das moléculas biológicas."

'Um roubo e uma traição'

Talvez um dos episódios mais conhecidos da história da Foto 51 seja que Wilkins a mostrou a Watson sem o conhecimento de Franklin.

"Este fato foi descrito como um roubo e uma verdadeira traição em relação à pesquisadora. Algo de que ela nunca teve conhecimento", diz Martínez Pulido.

Watson e Crick trabalhavam no Laboratório Cavendish da Universidade de Cambridge e corriam contra o tempo para decifrar a estrutura do DNA antes de seu principal concorrente, Linus Pauling, nos Estados Unidos.

O próprio Watson relatou em seu livro A dupla hélice: Como descobri a estrutura do DNA sua reação ao ver a foto 51: "Meu queixo caiu e meu coração começou a acelerar".

Para Martínez Pulido, Watson imediatamente "compreendeu que a simplicidade do diagrama, com uma cruz preta dominando a fotografia, era a prova de que a molécula tinha uma estrutura helicoidal".

Outra versão afirma que Watson, que não entendia de cristalografia, desenhou para Crick o que tinha visto, e foi Crick quem percebeu imediatamente que se tratava de uma hélice.

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